Embalagem inteligente para produtos premium

As embalagens alimentares são actualmente avaliadas em função de três critérios: ambiente, marketing e funcionalidade. Apesar da evolução contínua da embalagem e da tecnologia de embalagem, ainda há um fluxo de novos desenvolvimentos e inovações. As tendências principais da actualidade incluem a embalagem inteligente para proteger o produto, a tecnologia capaz de conservar os recursos e o uso de materiais renováveis.

Mais de um terço dos alimentos produzidos a nível mundial perde-se antes de chegar ao consumidor. Perante estas estatísticas, é fácil reconhecer o papel que que a embalagem pode desempenhar para conservar os recursos do planeta. Uma das finalidades da embalagem alimentar é proteger o conteúdo contra a perda e deterioração, mesmo em condições de transporte e armazenamento menos favoráveis. Na falta de embalagem, grandes quantidades de alimentos perder-se-iam bem mais depressa, limitando a sua transportabilidade e tempo de vida útil. No entanto, a produção de embalagens também consome energia e matérias-primas. Esta é uma área onde as melhorias de eficiência podem ser atingidas. Aumentando a eficiência energética e optimizando a utilização de materiais de embalagem, empresas como a Bosch Packaging procuram baixar os custos de produção de alimentos e com isso reduzir o impacte ambiental. Entre as novas abordagens para este problema está o recurso à embalagem asséptica, um método que evita a necessidade de temperaturas elevadas após o embalamento. Este método permite não só uma redução significativa da quantidade de material de embalagem, e com ela a produção de resíduos, mas também uma economia de energia que pode chegar até 70%, comparativamente a métodos convencionais de embalagem.. Além disso, e como resultado desta forma mais "gentil" de processamento, os alimentos conservam mais os seus nutrientes. Os produtos embalados deste modo não necessitam de uma cadeia de frio ininterrupta, da produção ao retalho. Também aqui se consegue economizar energia.

Eficiência energética superior

Segundo um estudo da Frost & Sullivan, as vendas de motores eléctricos à indústria Europeia da embalagem totalizou 184,4 milhões de euros em 2010, e deverá atingir 272,6 milhões de euros em 2017. Regista-se uma tendência clara para melhorar a eficiência energética dos sistemas de accionamentos instalados nas máquinas de embalagem. Quando combinados com a tecnologia pneumática que é actualmente standard nos sistemas de embalagem, os actuadores eléctricos proporcionam uma série de vantagens. Têm uma eficiência superior e não precisam da energia cara do ar comprimido. Para além da sua utilização primária – para manobrar embalagens entre uma posição e outra no interior de uma máquina de embalagem, os actuadores eléctricos são cada vez mais encarados como solução atractiva para executar movimentos simples. Para máquinas de embalagem que operam com tempos de ciclo muito curtos e que têm que lidar com embalagens com maior peso e formato, os motores eléctricos necessários são bem mais pequeno que os cilindros pneumáticos. Logo, a utilização de motores eléctricos contribui para reduzir custos. Também os servomotores, com as suas características operacionais, a ausência de necessidades de manutenção e a elevada eficiência energética das últimas gerações, têm muito para dar neste domínio.

Economizar energia e materiais

Existem várias abordagens para economizar energia e materiais na indústria de embalagem. Conjugadas, essas abordagens trazem reduções significativas do impacte ambiental. Nos anos 80, predominava a ideia de que a embalagem era indesejável que que deveria ser evitada sempre que possível. Hoje, é reconhecido o seu papel vital, mas também se reconhece a necessidade de uma embalagem op mais económica e eficiente possível. Como exemplo, pode referir-se a selagem ultrassónica, que reduz a energia necessária para fechar a embalagem, dado que elimina o pré-aquecimento. Esta tecnologia também permite usar filmes mais finos e linhas de selagem também mais finas que os processos de termo-selagem, ou seja, uma dupla redução do uso de materiais.
As melhorias de eficiência também ocorrem no processo de estiragem-sopro para produção de garrafas PET, um processo que consome significativamente energia na fase de aquecimento das pré-formas. Com um desenvolvimento de processo, a Krones mostrou que é possível fazer melhorias mesmo em processos bem conhecidos. Baseado na tecnologia das micro-ondas, o novo método não só aumenta a eficiência energética e a sustentabilidade como também torna o processo mais rápido, mais flexível e versátil, permitindo aos fabricantes monitorizar a parametrizar individualmente o processo de aquecimento de cada embalagem PET. Isto permite compensar não só os eventuais efeitos negativos das condições ambientais mas também as alterações do teor de material reciclado. além disso, o método também permite produzir garrafas multicolores, alargando as opções de design. Comercializada sob o nome FlexWave, a tecnologia das micro-ondas requer cerca de 50% da energia consumida por um sistema de infra-vermelhos convencional e apenas 20% do tempo para aquecer as pré-formas.

Embalagem natural para produtos naturais

Apesar do elevado potencial e das oportunidades de melhoria no campo da embalagem, ainda há problemas por resolver. É o caso das embalagens poroduzidas com materiais renováveis, por exemplo. O PLA e o PET produzido a partir de vegetais são tópicos actuais, dada a sua menor contribuição para as emissões de CO2 comparativamente aos plásticos baseados no petróleo. No entanto, ainda se contesta que as plantas que originam os referidos materiais são plantadas em terrenos que deveriam estar a produzir alimentos. Várias soluções têm sido equacionadas para este problema. Por exemplo, a utilização de resíduos ou subprodutos como matéria-prima. Numna direcção directente, tenta-se dar resposta aos apelos à reciclagem em circuito fechado em quem por exemplo, uma embalagem de yogurte fabricada em bioplástico é reciclada para produzir embalagens alimentares de qualidade equivalente, en vez de ser incinerada para gerar energia ou reciclada para obter um reciclado de menor valor. No presente, a produção de PET "verde" ainda depende dos derivados da indústria do açúcar ou da cana de açúcar – como sucede com a PlantBottle da Coca-Cola. A pesquisa prossegue para determinar se subprodutos da agricultura e exploração florestal, como as estilhas de madeira ou as canas de milho e trigo podem ser usadas. A presença de materiais vegetais nas garrafas PET não altera a sua composição química. Consequentemente, não haverá necessidade de um circuito de reciclagem separado.
Paralelamente, os investigadores são a apresentar materiais totalmente novos, baseados em subprodutos abundantes. O Instituto Fraunhofer para a Engenharia de Processamento e Embalagem (IVV), por exemplo desenvolveu um biomaterial baseado na proteína de soro capaz de resultar num processo produtivo com custo comportável para produção industrial de um filme plástico multi-funcional para embalagem alimentar.
O plástico, na forma de filme transparente e multi-camadas, tem utilização comum para proteger os alimentos do ambiente que os rodeia. Para reduzir ao mínimo a quantidade de oxigénio que atinge o produto, a embalagem inclui frequentemente uma camada barreira de um plástico de preço elevado e baseado no petróleo, como é o caso do álcool etileno-vinílico (EVOH). O desenvolvimento do Instituto Fraunhofer IVV explora duas propriedades importantes: as substâncias naturalmente presentes no soro contribuem para prolongar o tempo de vida útil do produto e a camada barreira de proteína de soro é bioologicamente degradável. Os investigadores conseguiram produzir filmes multi-camada com propriedades barreira, adequados para produzir materiais de embalagem transparente para produtos alimentares. As fábricas actuais poderão produzir estes filmes, apenas com algumas alterações pouco significativas. Agora, os investigadores esforçam-se por substituir a camada de EVOH nos compósitos para termoformagem.
Seja qual for a forma da embalagem do futuro, uma coisa é certa: enquanto as pessoas quiserem transportar e armazenar alimentos, haverá sempre necessidade da embalagem.

De 27 a 30 de Março, terá lugar, de novo em Colónia, Alemanha, a feira Anuga FoodTec, uma plataforma de negócios para as indústrias alimentrares e para as indústrias da embalagem. A feira conta com cerca de 1300 expositores de 35 países, o que constitui um recorde na história do evento. A Anuga FoodTec é uma organização conjunta da Feira de Colónia e da Sociedade Alemã da Agricultura (DLG).

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