Novas embalagens para consumidores difíceis

A sociedade está a mudar. Enquanto a média de idade da população está a baixar em vários países da África e da Ásia, a população dos países industrializados ocidentais está a envelhecer. A esperança de vida está a aumentar em todo o mundo. É por isso que os consumidores estão a exigir embalagens fáceis de manipular – um desafio para a indústria.

image Muitas pessoas gostam de salsichas. E de tempos a tempos, também gostam de as comer com as mãos. Simplesmente, as salsichas de Frankfurt e Viena não são propriamente snacks típicos para pessoas em movimento. Na maior parte dos casos, vêm a nadar num molho aguado ou são seladas em grupo em embalagens de grande formato.
O especialista alemão em salsichas Rügenwalder Mühle tem agora uma solução para os apreciadores de snacks. Desde Outubro, começou a vender as suas salsichas “Mühlen Würstchen” numa embalagem de plástico transparente e refechável. Deste modo, diz ele, as cinco pequenas salsichas Knackwurst podem ser transportadas com facilidade e mantidas frescas até à última dentada.

"Os hábitos alimentares mudaram radicalmente" – diz Godo Röben, director de marketing da Rügenwalder – "as tradicionais três refeições por dia deram lugar a vários snacks pequenos e mais frequentes".
Existe uma forte tendência para produtos de conveniência como as Mühlen Würstchen. Já não bastam as funções de protecção, transporte e armazenagem das embalagens. Estas têm que ter uma vantagem funcional extra. "A simplicidade de manipulação da embalagem do produto é cada vez mais importante para os consumidores", explica Hilka Bergmann, directora de pesquisa do EHI Retail Institute, de Colónia. As funcionalidades de conveniência como a abertura fácil, a possibilidade de voltar a fechar ou a facilidade de obter porções estão cada vez mais proeminentes no design da embalagem. Outra aproximação é a dos alimentos que podem ser colocados directamente no forno micro-ondas dentro da sua embalagem de origem, simplificando a preparação. As embalagens com novos laminados plásticos que prolongam o tempo de vida útil do produto estão também nesta categoria.

Não esquecer a idade

A procura de produtos de valor acrescentado é potenciada pela mudança demográfica. Nos países industrializadimageos ocidentais, o grupo das pessoas acima dos 60 anos continua a aumentar. Essas pessoas tem maior dificuldade em ler textos e gráficos e em abrir as embalagens. Segundo um estudo do grupo de trabalho formado por organizações dedicadas à terceira idade (BAGSO), as pessoas mais idosas passam momentos desagradáveis com produtos selados em plástico – os pontos de início do rasgamento são frequentemente difíceis de encontrar, o que torna difícil abrir as embalagens. Por isso, as pessoas mais idosas preferem os métodos de abrir mais fáceis de reconhecer e mais simples.
Por outro lado, os estilos de vida estão a mudar. Em todo o mundo, as pessoas estão a ficar com menos tempo para as refeições. Snacks entre refeições e um expresso rápido tirado da máquina de café são cada vez mais populares. Os alimentos refrigerados, tais como smoothies, antipasti e saladas, preparados de fresco e quase sempre ‘kitchen.ready’ têm alcançado êxito. A tendência teve início nos E.U.A. e passou para a Europa há vários anos. Para a indústria, esta tendência está associada a um desafio adicional. Os consumidores de produtos refrigerados são em muitos casos também mais conscientes com os aspectos relacionados com a saúde e valorizam o carácter natural, a pureza, a frescura e a tradição. Os consumidores actuais querem produtos que pareçam preparados à mão e embalados frescos ao balcão.
A indústria não pode ignorar as necessidades dos mais velhos, dos que trabalham e dos consumidores mais exigentes com a saúde. Quem der pouca importância à conveniência e que não conseguir destacar os seus produtos com uma aparência atractiva e com elevada funcionalidade, arrisca-se a ficar fora do mercado altamente competitivo. Só na Alemanha, o mercado da conveniência representa, segundo os analistas de mercado da USP (Munique), 560 000 pontos de venda e tem um potencial de vendas de 30 mil milhões de euros, com tendência para aumentar.
"As funcionalidades de conveniência passaram de importantes a muito importantes para dois terços dos consumidores" – diz Katrin Waller, analista da USP. Um dos factos mais salientes é a atitude radical que as pessoas idosas tomam quando não conseguem lidar com uma embalagem: 34% passam simplesmente a comprar outro produto, indica o estudo da BAGSO.

Concorrência para a lata clássica

Na batalha pelas quotas de mercado, os produtores procuram cada vez mais embalagens que comuniquem conforto e conveniência ao consumidor. Baseiam-se na criatividade e na competência dos fabricantes de embalagens e dos seus fornecedores. A Rügenwalder, por exemplo, usa embalagens de plástico do Weidenhammer Packaging Group (Alemanha) para lançar as suas salsichas ‘Mühlen Würstchen’. Noutros segmentos alimentares, as "latas compósitas" e as embalagens de plástico desafiaram a posição da clássica embalagem metálica.
"Em vez do aço estanhado (folha-de-flandres) ou do vidro, é a vez do plástico nas prateleiras dos supermercados" – diz Ralf Weidenhammer. Por exemplo, a solução patenteada PermaSafe, em plástico, embala de forma segura alimentos esterilizados e pasteurizados, ao mesmo tempo que é mais fácil de manipular e mais leve que as tradicionais latas com anel de puxar. A manipulação simples é conseguida com uma película facilmente pelável e com uma tampa para voltar a fechar. O fabricante do produto tem grandes expectativas para esdta inovação. A empresa alemã Müller’s Hausmacher Wurst foi a primeira a adoptar a embalagem PermaSafe e vai utilizá-la para outros produtos. Mas apesar desta ofensiva dos plásticos, a lata clássica ainda tem futuro no mercado. Graças à suas características de fecho hermético e à sua robustez, muitos produtores continuarão a confiar na embalagem metálica com as suas décadas de performance.
Outro tópico importante para o Weidenhammer Packaging Group é a continuação do desenvolvimento da lata compósita. Na Interpack 2011, a maior feira mundial para o sector da embalagem (12 a 18 de Maio, em Dusseldorf), a Weidenhammer vai apresentar uma lata compósita com um fecho peel-off. A selagem hermética é adequada para produtos sensíveis ao oxigénio, tais como o leite em pó.
Na Wipak Walsrode, subsidiária alemã do grupo finlandês Wipak, há também uma focagem na inovação nas áreas da produção e transformação de filmes. Lado a lado com os filmes de alta barreira, a empresa apostou nas embalagens que fecham naturalmente e que têm uma aparência "amarrotada". "Voltar à natureza" é o lema de muitos fabricantes e retalhistas que pretendem enfatizar os ideais de alta qualidade através de embalagens baseadas em papel. a Wipak desenvolveu um processo de produção especial, em que o papel é integrado no próprio processo de produção do filme plástico. Camadas super-finas de filme são laminadas no lado interior da camada de papel que irá formar a embalagem. Deste modo, a embalagem terá o toque do papel, enquanto as camadas de plástico asseguram a barreira ao oxigénio e a selabilidade. Graças a esta nova solução, os "sticks" de queijo "Sgangerl" tornaram-se um êxito comercial.

Regresso à natureza

"Simplicidade e sustentabilidade" é, por seu turno, o lema do STI Group, grupo alemão especializado na produção de imageexpositores e embalagens. "As soluções de embalagem devem agora proporcionar conveniência mas com uma pegada ecológica mínima" – diz Cláudia Rivinius. Como primeiro passo para uma maior sustentabilidade, a STI desenvolve embalagens para alimentos e outros produtos de consumo a partir de cartão e cartão canelado, com tampas dispensadoras em plástico. Um dos modelos clássicos deste fabricante é a embalagem do detergente Persil com o seu mecanismo de abertura por rasgamento. Os produtos mais recentes deste fabricante incluem uma caixa de cartão para as lâmpadas económicas Osram. A caixa contém um elevado teor de papel reciclado, tem um formato "orgânico" de acordo com a lâmpada, uma janela ampla e uma base aberta. A embalagem é não só amiga do ambiente como também ajuda o consumidor a decidir, permitindo-lhe testar a lâmpada sem ter que abrir a embalagem. Os críticos dizem que é uma embalagem complexa com impacto no custo do produto. O fabricante, por seu turno, diz que os custos são reduzidos através da redução da  quantidade de materiais e das melhorias  nos métodos de produção. Isto parece plausível porque os construtores de máquinas estão a dar passos significativos e inovadores. A Ilapak (Suíça), por exemplo, fornece linhas de embalagem completas para doze segmentos diferentes do mercado alimentar e não alimentar. A vantagem está no facto de as embalagens se adapta

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rem umas às outras, aumentando a eficiência. "Com soluções completas e de uma só origem, a indústria pode reduzir significativamente os custos por unidade de produto embalado" – diz Christian Romualdi, director de marketing da Ilapak.
A Multivac (Alemanha) também está a melhorar a eficiência das suas máquinas. Na próxima Interpack vai apresentar uma máquina de embalagem deep-drawing que consome menos 20% da energia, comparativamente a máquinas convencionais. As máquinas deep-drawing são capazes de embalar automaticamente produtos alimentares e não alimentares. "Economizamos energia substituindo todos os dispositivos pneumáticos por tecnologia de accionamentos eléctricos de alta eficiência" – diz Helmut Sparakowwski, director comercial da Multivac, para explicar o ‘e-concept’ da empresa.
Esta inovação da Multivac está relacionada com a conveniência das embalagens. À facilidade de manipulação e à durabilidade, junta-se agora a sustentabilidade. Para que os consumidores se "sintam bem" não bastam as características de conveniência – eles também querem que os produtos sejam fabricados segundo princípios de economia de recursos. 

 

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