Embalagem activa com filme anti-microbiano

image Até à data, os  supermercados só têm possibilidade de manter os seus produtos de carne fresca nos balcões durante alguns dias. No entanto, os investigadores desenvolveram um filme anti-microbiano para embalagem activa que destrói os micro-organismos da superfície do produto, aumentando o tempo de vida útil da carne, bem como do peixe, do queijo e de outros produtos cortados a frio.

 

Os consumidores são naturalmente exigentes: necessitam de alimentos pré-divididos em porções, prontos a usar e que permaneçam frescos e com aparência aceitável durante dias. Estas exigências são colocadas especialmente para os produtos de carne cortada e fresca. No entanto, embora a carne fresca possa ser virtualmente estéril no momento do abate, ela geralmente sofre contaminação por micro-organismos durante as etapas subsequentes de corte e processamento. A carne que inicialmente tem bom aspectos tende a mudar de cor, textura e, ao fim de alguns dias, ganha cheiro. Estas mudanças devem-se a processos químicos, físicos e microbiológicos, tais como a formação de aminas biogéneas, que ocorrem como micro-organismos. Neste processo, participam cerca de 20 espécies de bactérias, bolores e leveduras.

Recentemente, a embalagem activa anti-microbiana abriu a possibilidade de manter a qualidade e a segurança do produto durante mais tempo. De acordo com o regulamento 450/2009, os materiais utilizados na embalagem activa podem prolongar o tempo de vida útil dos alimentos embalados e é permitido incorporar componentes especialmente projectados para libertar substâncias para os alimentos em questão. Este tipo de embalagem já foi introduzido no Japão, onde a prata, a wasábia (rabanete japonês) e o etanol são alguns dos ingredientes usados.

Carolin Hauser, química alimentar no Instituto Fraunhofer para Engenharia de Processamento e Embalagem (IVV, Freising), desenvolveu e testou um novo filme activo com revestimento anti-microbiano que incorpora um mecanismo de libertação controlada. "Isto significa que, em contacto directo, um agente anti-microbiano é libertado para a superfície do produto" – explica. "A superfície é o primeiro ponto de ataque dos germes. Usando apenas pequenas quantidades do agente activo, a embalagem pode proporcionar uma protecção efectiva do produto". Como é evidente, só agentes activos autorizados pela legislação alimentar podem ser usados na produção destes filmes; eles não podem ser venenosos nem alergénicos, e devem ser neutros em termos de aroma e sabor. Aléém disso, cada agente activo deve ser passível de ser transferido para a superfície do filme. Tendo em conta todas estas considerações, Carolin Hauser escolheu o ácido sórbico, que dissolveu num revesdtimento e depositou sobre o filme base.
Quanto conduziu os seus testes, esta química alimentar usou várias porções de carne de porco. Um dia após o abate, contaminou cada uma delas com cerca de 1000 unidades de E.coli e depois envolveu-as, algumas com filme standard e outras com filme activo. Após sete dias num frigorífico a 8 graus centígrados, já eram bem visíveis diferenças de côr. A análise microbiológica revelou que a embalagem activa tinha destruído muitos dos germes: o número de bactérias E.coli nessas porções tinha descido para cerca de um quarto do original.

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